COMUNIDADES ECLESIAIS DE BASE – CEBS

As Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) surgiram no Brasil como um meio de evangelização que respondesse aos desafios de uma prática libertária no contexto sociopolítico dos anos da ditadura militar e, ao mesmo tempo, como uma forma de adequar as estruturas da Igreja às resoluções pastorais do Concílio Vaticano II, realizado de 1962 a 1965. Encontraram sua cidadania eclesial na feliz expressão do Cardeal Aloísio Lorscheider: “A CEB no Brasil é Igreja — um novo modo de ser Igreja”.

Em 1979, reunidos em Puebla, os bispos latino-americanos firmaram o seguinte compromisso:

“Como pastores, queremos resolutamente promover, orientar e acompanhar as comunidades eclesiais de base, de acordo com o espírito de Medellín e os critérios da Evangelii Nuntiandi; favorecer o descobrimento e a formação gradual de animadores para elas. Em especial, é preciso procurar como podem as pequenas comunidades, que se multiplicam nas periferias e zonas rurais, adaptar-se também à pastoral das grandes cidades do nosso continente” (Pb 648).

Os bispos do Brasil já haviam feito a opção pelas “comunidades de base” desde 1966, para tornar a Igreja mais viva, mais corresponsável e mais integrada. As CEBs foram consideradas atividade “urgente” pelos bispos, para renovar as paróquias. Esse plano foi sistematizado e lançado em 1968, pela Editora Vozes, na obra do Pe. Raimundo Caramuru Comunidades eclesiais de base: uma opção decisiva.

As CEBs, fruto da eclesiologia do Vaticano II e nascidas especificamente para atualizar a Igreja e adaptá-la ao mundo atual, tiveram profundas implicações na Igreja e na sociedade.Devido ao contexto específico da sociedade brasileira, que vivia sob o regime de exceção, com cerceamento dos direitos civis, as CEBs se tornaram uma plataforma válida e eficiente para as mudanças sociais, apresentando ainda as bases de uma nova sociedade.

Hoje, passada a euforia inicial e tomando a devida distância, podemos constatar que as CEBs estão na raiz de vários movimentos sociais e têm contribuído para a formação de muitas lideranças no campo social e político. Foram responsáveis também pela formação de lideranças leigas no interior da Igreja, que assumiram o jeito de viver e celebrar a fé de uma maneira nova. Muitas vocações religiosas e sacerdotais foram despertadas pelas CEBs, possibilitando uma nova imagem do(a) consagrado(a).

No início do cristianismo, quem tentava viver como Jesus viveu, conforme seu testemunho e ensinamento, era identificado como alguém que estava no caminho, na caminhada. Não é fora de propósito que, em grego, caminho é método. As CEBs foram capazes de criar um método novo de ler a Bíblia, de celebrar a fé e de olhar a realidade. E, identificados com este novo método, o caminho, muitos foram tombados, deram a vida, foram martirizados. A profecia e o martírio têm sido uma das marcas mais fortes das CEBs. Além disso, as CEBs têm participado do amplo movimento de promoção e restauração da ética na economia, na política, na cultura, nas relações de gênero, nas relações ecológicas etc.

Em razão dos volumosos problemas humanos, com sua orientação excludente, que o atual sistema neoliberal vem criando em níveis globais, as CEBs têm procurado formar cristãos(ãs) “adultos(as) na fé”, desejosos de uma Igreja que leve adiante as intuições e teses do Concílio Vaticano II. Em linhas gerais, querem:

— uma Igreja inserida na complexidade de seu momento histórico, com a audácia tanto de ser profética como de estar aberta a aprender dos outros, das outras tradições cristãs e das outras religiões e culturas;

— assumir os valores do mundo moderno, acolhidos pelo Concílio Vaticano II, no campo institucional, teológico e pastoral;

— reformar as estruturas de governo da Igreja, ação capaz de desencadear outras reformas;

— autonomia das conferências episcopais e mais autonomia das Igrejas locais;

— maior protagonismo dos(as) leigos(as) no âmbito dos ministérios;

— reconhecimento canônico-jurídico das CEBs como Igreja;

— cultivar uma espiritualidade libertadora, enraizada no seguimento de Jesus Cristo, comprometida com os(as) excluídos(as).

Passadas quatro gerações, as CEBs construíram sua história e hoje são conclamadas a se pronunciar sobre sua identidade.

Nesse contexto do surgimento das CEBs no Brasil e com o crescimento de Curitiba e especificamente a região do Alto Boqueirão, no ano de 1982 surgem as primeiras Comunidades Eclesiais de Base da então Capela de Santo Antônio Maria Claret, houve na época um curso de casais e foram escolhidos alguns nomes das primeiras comunidades de base conforme as vilas em torno da Paróquia iam crescendo, ficaram assim denominadas aquelas primeira comunidades:

Vila Teresópolis: CEB Santa Teresinha; Vila Ortência: CEB São Carlos; Vila Suzana: CEB São Marcos; Região próxima ao Terminal Boqueirão: CEB Santa Clara e na Rua Tenente Vilagran Cabrita após a Rua Maestro Carlos Frank surge a CEB São Francisco.

Nesse mesmo ano em novembro houve a primeira romaria das CEBs, com 7 ônibus lotados de adultos e crianças para a cidade histórica da Lapa. Houve missa no Sanatório São Benedito em seguida o retorno a Capela de Santo Antônio Maria Claret.

Esses fatos são narrados por nosso primeiro Pároco o padre João Batista Dinamarquês, no “Histórico da Paróquia Santo Antônio Maria Claret” datado de 12/10/1990.

Hoje o território paroquial tem a seguinte extensão e localização:

A igreja está localizada na Rua Padre Estanislau, sua área territorial paroquial abrange as seguintes ruas do Alto Boqueirão:

rua Dr. Bley Zorning (início das Comunidades São Francisco e Santa Clara) entre as ruas Paulo Setúbal e avenida Marechal Floriano Peixoto, Linha Férrea até o Córrego Alto Boqueirão (onde terminam as comunidades São Sebastião, Santa Gertrudes e Santa Joana D’Arc), Rua Cascavel entre as Rua Maestro Carlos Frank e Linha Férrea e Vila Pantanal (onde se encontra a Capela São José).

Fontes: Pe. João Batista Dinamarquês.

http://www.vidapastoral.com.br

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